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terça-feira, 21 de junho de 2011

O que twitter tem a ver com produtividade?

Por Jurema Luzia Cannataro

Ouve-se muito falar que estamos na era da informação. Mas as empresas ainda estão muito longe de reconhecer o quanto compartilhar informações internamente de maneira planejada, para todos os colaboradores, pode fazer diferença em seus resultados. E não apenas em relação à motivação, integração... mas também em termos financeiros.
Divulgar informações de forma adequada, fazer com que elas cheguem aos interessados (e, afinal, numa empresa em princípio não há quem não seja interessado, já que o resultado final compromete a todos, ou não?), nos momentos certos, na velocidade correta e no melhor formato produz efeitos diretos nos objetivos concretos alcançados pela organização.

Comunicação é fator estratégico

É isso aí. Comunicação aplicada de forma abrangente e estruturada gera dinheiro. As empresas ainda não se deram real conta disso. Mas num futuro, talvez não tão longínquo assim, essa questão virá à tona e o processo de comunicação interna (e não somente externa) também passará a ser encarado como fator estratégico nas organizações.
Vislumbro esse cenário há anos e tenho absoluta certeza de que se concretizará.
E é dentro desse panorama que quero tratar a questão proposta acima: o que twitter tem a ver com produtividade?
Twitter = informação. Produtividade = dado plenamente mensurável, com impacto direto no resultado financeiro das empresas.
Pois muito bem. Uma empresa do interior do Estado de São Paulo conseguiu aumentar seus níveis de produtividade... aplicando mais treinamento? Realizando dinâmicas de motivação? Implantando uma nova tecnologia? Fazendo hoshin na linha de produção? Não, não, não e não.
A resposta é: colocando um display em local visível para que os operadores pudessem ter acesso, em tempo real, a informações sobre o que estava acontecendo na organização.
Qualquer tipo de informação: uma visita de cliente ou representante da matriz, o sucesso obtido por um setor no desenvolvimento de um projeto, uma meta alcançada, um prêmio de qualidade conquistado pela empresa, o recorde de dias sem acidente, os resultados de uma auditoria de qualidade ou meio ambiente... e por aí vai.
Por que receber informações aumenta a produtividade? Porque dá a cada pessoa da organização o sentimento de pertencer ao grupo, de ser parte integrante e importante nos processos, que merece ser informada sobre o que está ocorrendo.
A conquista obtida por um determinado setor deixa de ser apenas daquela equipe em particular e passa a ser compartilhada entre os colaboradores. E contagia a todos de forma positiva.
A visita de um cliente ou de um representante da matriz deixa de ser um assunto de responsabilidade apenas da diretoria ou gerência. Afinal, ela pode gerar novos negócios ou reconhecimento para todos que integram a empresa. E quem sabe essa visita “dê uma passadinha, daqui a pouco, aqui no meu setor”... Portanto, vamos todos nos empenhar em mostrar o que sabemos e fazemos de melhor.
Por suas características de conter textos curtos e diretos, o twitter corporativo, cujo acesso, é claro, seja restrito ao âmbito da organização, pode cumprir de forma adequada essa função de informar de maneira instantânea, principalmente nas áreas administrativas em que praticamente a totalidade dos funcionários tem acesso a computadores.
Para os setores operacionais, algum tipo de dispositivo eletrônico próprio para transmitir mensagens curtas, como o display, cumpre bem esse papel. É claro que, nesse caso, é necessário um estudo criterioso de como isso será feito, levando em consideração quais os locais mais adequados para instalação do equipamento, qual será o período de exposição das informações, etc.
E veja que estamos falando num processo de comunicação unilateral, em que a pessoa apenas recebe mensagens, mas não pode dar feedback direto (retroalimentação). E mesmo assim produz resultados significativos.
Imaginem então o que se poderá obter com a estruturação efetiva e estrategicamente planejada de processos internos de comunicação de mão dupla ou coletivos.

Novas vs. “velhas” tecnologias em comunicação corporativa

Por Jurema Luzia Cannataro

Que impactos as novas tecnologias de comunicação estão provocando (se é que estão mesmo provocando) em relação à comunicação corporativa?
Quais meios de informação os gestores de RH estão preferindo utilizar no processo de comunicação com o público interno da empresa?
Antes de tomar uma decisão em favor das mídias tradicionais (jornais, revistas e manuais impressos) ou digitais (jornais e informativos via intranet, displays eletrônicos e blogs corporativos) é preciso que os profissionais da área de gestão de pessoas analisem com cuidado uma série de aspectos.

Velocidade

A rapidez com que a informação chega ao público-alvo é atualmente um fator extremamente relevante.
Com o desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, as pessoas estão acostumadas a ter acesso em “tempo real” às notícias e aos dados de que necessitam. E mais: com texto, imagens e som.
E o que acontece com grande parte dos jornais e revistas de empresas? Os empregados recebem no mês de ABRIL a publicação com matéria sobre... “a alegria da festa de confraternização realizada em DEZEMBRO”. Quem não conhece bem o universo da comunicação na área empresarial pode até duvidar, mas de fato é isso que ocorre em vários casos. E por quê?
Por causa de algo que em nossa assessoria apelidamos de jornal “moto-contínuo”: aquele que nunca termina. A publicação já está pronta e poderia ir para a gráfica. Entretanto, alguém da empresa quer incluir mais um texto... Mas só poderá enviá-lo na semana que vem... E não aceita que ele fique para a próxima edição... E assim o tempo passa. O pior é que a pessoa age assim porque quer que o seu texto saia “o mais rapidamente possível”.
Frequentemente ocorre de uma edição sobrepor-se à outra. Por exemplo: se o jornal é bimestral, ele acaba saindo quatro meses depois. Ou seja, a primeira edição já poderia ter sido distribuída, com os textos atualizados e a próxima traria as matérias novas... no mesmo espaço de tempo.
Existe também um “aspecto psicológico” curioso que contribui para que os atrasos aconteçam: as pessoas ainda atribuem um peso maior à informação registrada em papel. Por isso, tendem a “segurar” muito mais a finalização e aprovação de um material impresso do que de um texto que será veiculado na intranet, que por si só já tem as características de rapidez e de conter informações mais “voláteis”.
Há um outro fator a favor das publicações divulgadas por meios eletrônicos ou digitais: a maior mobilidade na diagramação. Fazer modificações (como trocar um texto ou incluir novas fotos) nesse tipo de material é relativamente mais fácil e rápido do que num jornal impresso.
Sendo assim, no que se refere ao fator da velocidade, as novas mídias de comunicação utilizadas na área empresarial (jornal via intranet, displays eletrônicos e blogs corporativos) ganham ponto.

Atratividade

Os veículos internos de comunicação não “competem” apenas entre si pela atenção dos empregados. Eles também disputam espaço com toda a enorme gama de estímulos visuais e auditivos a que estamos expostos diariamente.
Ler o jornal ou revista da empresa ou ouvir rádio, assistir televisão, acessar a internet, etc.?
Portanto, o primeiro ponto a considerar é que, seja qual for o tipo de veículo interno que a organização escolha utilizar, ele precisa ser tratado com profissionalismo e conhecimento técnico, para que possa ser atrativo e cativante para o público-alvo.
As pessoas estão habituadas a ter contato contínuo com os grandes meios de comunicação em geral. Por isso, tornaram-se mais exigentes quanto à qualidade do conteúdo e do visual. Não há mais espaço para aquele “jornalzinho caseiro”, feito em Word. Como esperar que ele desperte o interesse e a credibilidade dos colaboradores?
Outro fator importante a salientar é que o público-alvo não é homogêneo dentro das empresas. Existem pessoas que fixam mais as informações através da leitura e que preferem textos mais aprofundados. Para essas, as publicações impressas serão mais eficazes. Já outras optam pelo dinamismo, sendo mais estimuladas pelo uso de recursos multimídia (textos, imagens em movimento e som). Em casos assim, as mídias eletrônicas e digitais produzirão maior efeito.
Portanto, de um modo geral pode-se dizer que, com relação à atratividade, os meios de comunicação tradicionais e modernos são complementares no ambiente empresarial.

Custo

Em função do preço a ser pago pelos serviços gráficos, o custo de um jornal impresso, por exemplo, certamente é maior do que o de um jornal multimídia, divulgado via intranet ou display eletrônico.
Entretanto, se uma parte dos empregados não tiver acesso direto à intranet, a empresa precisará fazer um investimento inicial para a instalação de quiosques com computadores, permitindo assim que o jornal digital seja visto por todos.
A mesma observação é válida se o meio escolhido for o display eletrônico.
Mas fica aqui um alerta: é necessário fazer um estudo criterioso de como e onde implantar os quiosques e displays, para que tragam os resultados desejados em termos de melhoria da comunicação interna.   

Portabilidade

E quanto à facilidade de acesso e transporte ou “portabilidade”, para usar um termo mais adaptado aos dias atuais?
Apesar desse termo ser geralmente aplicado para veículos de comunicação eletrônicos e digitais, no caso do ambiente empresarial são os materiais impressos que, contraditoriamente, ganham mais pontos nessa área, pois podem ser facilmente levados para todo lugar e lidos a qualquer momento: no ônibus, no refeitório da empresa, durante o intervalo de trabalho e em casa, com a vantagem adicional de serem vistos também pelos familiares dos empregados. Dessa forma, convertem-se num instrumento a mais de motivação e integração, criando uma ponte entre o ambiente organizacional e familiar.
O mesmo não acontece com a intranet e o display eletrônico, que não podem ser visualizados fora da empresa e só estão acessíveis para o pessoal interno.

Complementaridade

O que se pode concluir é que, em termos de comunicação empresarial, estamos vivenciando uma fase de transição e complementaridade.
Portanto, o ideal é mesclar o uso das diversas mídias de acordo com os objetivos a serem atingidos, as características diferenciadas do público interno e os recursos disponíveis para investir nessa área.
Nesse sentido, é fundamental que se tenha um plano de comunicação corporativa muito bem estruturado e aplicado com alto grau de profissionalismo.

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