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terça-feira, 21 de junho de 2011

O que blog tem a ver com clima organizacional?

Por Jurema Luzia Cannataro

Já dizia a sabedoria popular: se não pode com eles, una-se a eles.
Há algum tempo (não tanto tempo assim), as organizações deixaram de discutir tão acirradamente se o acesso dos funcionários à internet, principalmente no que se refere às redes sociais, deve ser “permitido” ou “proibido”.
As empresas que têm maior agilidade no processo de decisão e incorporação de mudanças perceberam que, ultrapassando essa discussão primária, está a oportunidade de aproveitar o melhor possível as novas tecnologias, pois creio que ninguém tem dúvida de que elas vieram para ficar. É um processo irreversível. E aquelas que contam com uma parcela expressiva de colaboradores pertencentes à geração Y (e daqui a uns cinco anos, à geração Z) estão sentindo isso ainda mais intensamente.

Fonte permanente de pesquisa

Atualmente, é possível encontrar na internet blogs, redes sociais e fóruns de discussão dedicados aos mais variados assuntos e em termos mundiais.
E não só para lazer, passatempo ou relacionamento social. Já é de senso comum que essas mídias podem se converter também em importantes instrumentos de trabalho, principalmente no que se refere a pesquisas, troca de informações e resolução de problemas.
É claro que é sempre necessária uma filtragem nos dados acessados, pois encontram-se na internet informações de valor e também muita coisa sem sentido, confiabilidade ou serventia.
Mas a proposta que quero analisar não se refere à participação em blogs com acesso livre na internet. A ideia é a empresa formar também um blog interno ou mesmo redes sociais e fóruns de discussão internos, ou seja, com acesso restrito aos funcionários da organização.
E é aqui que entra a pergunta do título: o que blog tem a ver com clima organizacional?
Além de ter a função já descrita acima, de atuar como instrumento para resolver problemas em conjunto, compartilhar conhecimentos e expertise e fortalecer relacionamentos, um blog interno (ou as demais mídias sociais internas) pode servir aos profissionais de Recursos Humanos da empresa e às lideranças como uma fonte permanente de “pesquisa de clima organizacional”.

Nas linhas e entrelinhas

O que se faz tradicionalmente em termos de clima organizacional é realizar, a cada um ou dois anos, uma pesquisa formal para detectar os pontos de satisfação e insatisfação dos colaboradores.
Para funcionar, essa pesquisa precisa ser abrangente e profunda. Pode-se dizer que ela analisa o clima da empresa do ponto de vista estrutural, ou seja, problemas consistentes e persistentes, que vão requerer ações mais aprofundadas para correção ou melhoria. E, nesse sentido, tem um papel fundamental no aperfeiçoamento das condições de trabalho.
Mas, e no espaço entre uma pesquisa e outra, o que se faz para detectar o clima organizacional?
Além das questões estruturais, existem as conjunturais. As empresas passam por situações dinâmicas todos os dias, que podem ser tanto positivas quanto negativas: conquista de novos clientes ou mercados, lançamento de novos produtos, recebimento de prêmios de qualidade, etc. ou perda de market share, incidentes de qualidade, acidentes de trabalho, etc.
Como os colaboradores estão reagindo a uma determinada situação naquele momento?
Somente a intuição, as conversas informais ou, o que é pior, os boatos, podem não ser suficientes para se ter uma perspectiva mais abrangente da reação e sentimento das pessoas na empresa, de forma a permitir uma análise, tomada de decisão e ação para reforçar os aspectos positivos ou tentar reverter ou amenizar os negativos, na ocasião em que os acontecimentos ainda estão se processando, em vez de daqui a um mês ou um ano.
Tomemos como exemplo a introdução de uma nova tecnologia na empresa. Isso está sendo visto (e sentido) pelos funcionários como fato favorável ou desfavorável? E qual a “extensão” da adesão ou resistência à mudança?
O blog ou fórum de discussão interno pode fornecer pistas valiosas a respeito do “clima que está pairando” na empresa.
É claro que o grau de qualidade e confiabilidade das informações e impressões colhidas através dessas mídias vai depender do estilo de liderança e gestão que é preponderante na empresa. Os funcionários só serão sinceros e estarão predispostos a opinar e sugerir se houver na organização um clima de abertura que estimule esse comportamento. E desde que esses recursos jamais sejam usados como “caça às bruxas” frente àqueles que se dispuserem a se expor.
As questões conjunturais, tanto quanto as estruturais, também se refletem no desempenho, comprometimento, motivação e bem-estar dos colaboradores e, consequentemente, nos resultados gerais da empresa.
Nesse sentido, o uso atencioso e sensível das impressões e opiniões colhidas nas linhas e entrelinhas das mídias sociais internas pode ser um reforço valioso na tarefa de criar um clima organizacional favorável ao pleno desenvolvimento das competências, habilidades e atitudes positivas das pessoas na empresa.

Novas vs. “velhas” tecnologias em comunicação corporativa

Por Jurema Luzia Cannataro

Que impactos as novas tecnologias de comunicação estão provocando (se é que estão mesmo provocando) em relação à comunicação corporativa?
Quais meios de informação os gestores de RH estão preferindo utilizar no processo de comunicação com o público interno da empresa?
Antes de tomar uma decisão em favor das mídias tradicionais (jornais, revistas e manuais impressos) ou digitais (jornais e informativos via intranet, displays eletrônicos e blogs corporativos) é preciso que os profissionais da área de gestão de pessoas analisem com cuidado uma série de aspectos.

Velocidade

A rapidez com que a informação chega ao público-alvo é atualmente um fator extremamente relevante.
Com o desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, as pessoas estão acostumadas a ter acesso em “tempo real” às notícias e aos dados de que necessitam. E mais: com texto, imagens e som.
E o que acontece com grande parte dos jornais e revistas de empresas? Os empregados recebem no mês de ABRIL a publicação com matéria sobre... “a alegria da festa de confraternização realizada em DEZEMBRO”. Quem não conhece bem o universo da comunicação na área empresarial pode até duvidar, mas de fato é isso que ocorre em vários casos. E por quê?
Por causa de algo que em nossa assessoria apelidamos de jornal “moto-contínuo”: aquele que nunca termina. A publicação já está pronta e poderia ir para a gráfica. Entretanto, alguém da empresa quer incluir mais um texto... Mas só poderá enviá-lo na semana que vem... E não aceita que ele fique para a próxima edição... E assim o tempo passa. O pior é que a pessoa age assim porque quer que o seu texto saia “o mais rapidamente possível”.
Frequentemente ocorre de uma edição sobrepor-se à outra. Por exemplo: se o jornal é bimestral, ele acaba saindo quatro meses depois. Ou seja, a primeira edição já poderia ter sido distribuída, com os textos atualizados e a próxima traria as matérias novas... no mesmo espaço de tempo.
Existe também um “aspecto psicológico” curioso que contribui para que os atrasos aconteçam: as pessoas ainda atribuem um peso maior à informação registrada em papel. Por isso, tendem a “segurar” muito mais a finalização e aprovação de um material impresso do que de um texto que será veiculado na intranet, que por si só já tem as características de rapidez e de conter informações mais “voláteis”.
Há um outro fator a favor das publicações divulgadas por meios eletrônicos ou digitais: a maior mobilidade na diagramação. Fazer modificações (como trocar um texto ou incluir novas fotos) nesse tipo de material é relativamente mais fácil e rápido do que num jornal impresso.
Sendo assim, no que se refere ao fator da velocidade, as novas mídias de comunicação utilizadas na área empresarial (jornal via intranet, displays eletrônicos e blogs corporativos) ganham ponto.

Atratividade

Os veículos internos de comunicação não “competem” apenas entre si pela atenção dos empregados. Eles também disputam espaço com toda a enorme gama de estímulos visuais e auditivos a que estamos expostos diariamente.
Ler o jornal ou revista da empresa ou ouvir rádio, assistir televisão, acessar a internet, etc.?
Portanto, o primeiro ponto a considerar é que, seja qual for o tipo de veículo interno que a organização escolha utilizar, ele precisa ser tratado com profissionalismo e conhecimento técnico, para que possa ser atrativo e cativante para o público-alvo.
As pessoas estão habituadas a ter contato contínuo com os grandes meios de comunicação em geral. Por isso, tornaram-se mais exigentes quanto à qualidade do conteúdo e do visual. Não há mais espaço para aquele “jornalzinho caseiro”, feito em Word. Como esperar que ele desperte o interesse e a credibilidade dos colaboradores?
Outro fator importante a salientar é que o público-alvo não é homogêneo dentro das empresas. Existem pessoas que fixam mais as informações através da leitura e que preferem textos mais aprofundados. Para essas, as publicações impressas serão mais eficazes. Já outras optam pelo dinamismo, sendo mais estimuladas pelo uso de recursos multimídia (textos, imagens em movimento e som). Em casos assim, as mídias eletrônicas e digitais produzirão maior efeito.
Portanto, de um modo geral pode-se dizer que, com relação à atratividade, os meios de comunicação tradicionais e modernos são complementares no ambiente empresarial.

Custo

Em função do preço a ser pago pelos serviços gráficos, o custo de um jornal impresso, por exemplo, certamente é maior do que o de um jornal multimídia, divulgado via intranet ou display eletrônico.
Entretanto, se uma parte dos empregados não tiver acesso direto à intranet, a empresa precisará fazer um investimento inicial para a instalação de quiosques com computadores, permitindo assim que o jornal digital seja visto por todos.
A mesma observação é válida se o meio escolhido for o display eletrônico.
Mas fica aqui um alerta: é necessário fazer um estudo criterioso de como e onde implantar os quiosques e displays, para que tragam os resultados desejados em termos de melhoria da comunicação interna.   

Portabilidade

E quanto à facilidade de acesso e transporte ou “portabilidade”, para usar um termo mais adaptado aos dias atuais?
Apesar desse termo ser geralmente aplicado para veículos de comunicação eletrônicos e digitais, no caso do ambiente empresarial são os materiais impressos que, contraditoriamente, ganham mais pontos nessa área, pois podem ser facilmente levados para todo lugar e lidos a qualquer momento: no ônibus, no refeitório da empresa, durante o intervalo de trabalho e em casa, com a vantagem adicional de serem vistos também pelos familiares dos empregados. Dessa forma, convertem-se num instrumento a mais de motivação e integração, criando uma ponte entre o ambiente organizacional e familiar.
O mesmo não acontece com a intranet e o display eletrônico, que não podem ser visualizados fora da empresa e só estão acessíveis para o pessoal interno.

Complementaridade

O que se pode concluir é que, em termos de comunicação empresarial, estamos vivenciando uma fase de transição e complementaridade.
Portanto, o ideal é mesclar o uso das diversas mídias de acordo com os objetivos a serem atingidos, as características diferenciadas do público interno e os recursos disponíveis para investir nessa área.
Nesse sentido, é fundamental que se tenha um plano de comunicação corporativa muito bem estruturado e aplicado com alto grau de profissionalismo.

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